SUS incorpora cirurgia combinada para glaucoma e catarata: entenda como o procedimento duplo funciona e quem pode realizar
📑 Neste Artigo (Sumário):
A autorização oficial pelo Ministério da Saúde une duas operações oftalmológicas essenciais em um único ato cirúrgico, prometendo recuperação ágil e menos desgaste para pacientes.
Envelhecer no Brasil traz consigo desafios silenciosos que, muitas vezes, atacam a autonomia de milhões de idosos de uma só vez. Entre os diagnósticos mais comuns nos consultórios oftalmológicos da rede pública estão a catarata — que embaça progressivamente a visão ao opacificar o cristalino — e o glaucoma, uma neuropatia crônica ligada à pressão intraocular elevada que corrói o campo visual sem avisar. Historicamente, pacientes que acumulavam as duas patologias enfrentavam uma via-crúcis cirúrgica: operavam um problema, esperavam a cicatrização e, meses depois, retornavam à fila para o segundo procedimento. Essa realidade começou a mudar com uma canetada decisiva do Ministério da Saúde, que oficializou a incorporação de uma técnica capaz de unificar as intervenções em uma única ida à mesa de cirurgia.
> ENTENDA > O que aconteceu: O Ministério da Saúde oficializou a inclusão de uma técnica cirúrgica simultânea para catarata e glaucoma no SUS. > Onde e quando: A medida foi anunciada nacionalmente em outubro de 2024, impactando a rede pública de saúde em todo o Brasil. > Como e por quê: Utiliza-se a goniotomia excisional durante a remoção do cristalino, reduzindo a pressão intraocular e otimizando o tempo cirúrgico. > Por que isso importa: Reduz riscos anestésicos, diminui o desgaste do paciente e alivia a sobrecarga crônica dos centros cirúrgicos oftalmológicos. > * O que muda: Pacientes diagnosticados com ambas as condições passam a ser tratados em uma única sessão operatória, acelerando a reabilitação visual.
Como Funciona o SUS vai oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata ao mesmo tempo — Ministério da Saúde
O segredo por trás dessa revolução na rede pública reside em uma abordagem minimamente invasiva conhecida como goniotomia excisional. Para compreender o avanço, é preciso olhar para a mecânica do olho humano. Na cirurgia tradicional de catarata, chamada de facoemulsificação, o cirurgião faz uma microincisão, fragmenta o cristalino danificado por ultrassom e o substitui por uma lente intraocular transparente.
Com a nova diretriz incorporada pelo SUS, o procedimento ganha um tempo complementar estratégico. Enquanto opera a catarata, o oftalmologista aproveita o mesmo acesso para atuar no ângulo da câmara anterior do olho — a região responsável pela drenagem do humor aquoso, fluido cujo acúmulo gera a pressão característica do glaucoma. Utilizando dispositivos microcirúrgicos de alta precisão, o médico remove uma pequena porção do tecido que obstrui esse canal de escoamento.
O resultado é uma via livre para a drenagem do líquido intraocular, reduzindo a pressão sem a necessidade de criar fístulas externas ou implantes complexos que exigiam pós-operatórios longos e cheios de restrições. Tudo isso acontece em uma única sessão, que não altera drasticamente o tempo total da cirurgia de catarata, mas poupa o paciente de uma segunda intervenção cirúrgica semanas ou meses mais tarde.
Por Que Isso Importa: Impactos e Desdobramentos
A decisão do governo federal vai muito além de uma simples otimização de agenda hospitalar; trata-se de uma mudança estrutural na qualidade de vida da população idosa. O peso logístico de realizar duas cirurgias oculares separadas é imenso para pacientes que muitas vezes dependem de familiares para o transporte, enfrentam dificuldades de mobilidade ou vivem em regiões distantes de centros de referência em oftalmologia.
Reduzir o número de intervenções significa cortar pela metade a exposição a riscos anestésicos, diminuir o uso de colírios pós-operatórios complexos e mitigar o estresse psicológico associado ao ambiente cirúrgico. Do ponto de vista macroeconômico e sistêmico, a medida desonera as filas de espera do SUS. Ao otimizar os centros cirúrgicos oftalmológicos, que passam a resolver dois problemas em um único bloco operatório, o sistema ganha capacidade de atendimento, liberando vagas para novos pacientes e acelerando o combate à cegueira evitável no país.
Como Chegamos Até Aqui: Histórico e Antecedentes
O avanço tecnológico e a incorporação de procedimentos combinados no sistema público não ocorrem no vácuo. Durante anos, o tratamento oftalmológico no Brasil operou sob uma lógica compartimentada. A catarata sempre contou com programas massivos de mutirões devido ao seu alto impacto social, mas o glaucoma seguiu uma rota predominantemente clínica, baseada no uso contínuo de colírios de alto custo fornecidos pelo SUS.
Quando os colírios deixavam de ser suficientes para controlar a pressão intraocular, os pacientes eram encaminhados para cirurgias tradicionais de glaucoma, como a trabeculectomia, procedimentos delicados que exigem um acompanhamento pós-operatório rigoroso e que raramente eram combinados com a cirurgia de catarata na rotina da maioria dos hospitais públicos. A pressão por prazos menores e por tratamentos mais eficientes — expressa ao longo dos anos em debates legislativos e cobranças de gestores de saúde — criou o ambiente necessário para que o Ministério da Saúde buscasse alternativas de alto valor tecnológico. A validação de técnicas minimamente invasivas que unem os dois tratamentos reflete a maturação da incorporação tecnológica baseada em evidências no âmbito do SUS.
Linha do Tempo dos Acontecimentos
01/01/2012 — Pressão por agilidade no SUS
Propostas legislativas, como o PL 3425/12, começam a circular no Congresso Nacional exigindo prazos menores e maior eficácia no diagnóstico e tratamento de glaucoma e catarata na rede pública.
18/10/2024 — Ampliação de cirurgias oftalmológicas
O Ministério da Saúde intensifica esforços na ampliação do acesso a cirurgias oftalmológicas em todo o país, preparando o terreno técnico e logístico para a incorporação de tecnologias mais avançadas.
23/10/2024 — Inovação incorporada no SUS
O Ministério da Saúde oficializa a inclusão da técnica combinada (como a goniotomia excisional) para o tratamento simultâneo de catarata e glaucoma, marcando uma nova era na oftalmologia pública brasileira.
Fontes Consultadas
- Agência Gov (EBC) — Portal oficial de notícias do Governo Federal (Fonte primária).
- Midiamax — Cobertura jornalística regional sobre políticas de saúde pública.
- Publicações institucionais e comunicados oficiais do Ministério da Saúde via redes sociais (Instagram e Facebook).
Aviso Editorial: Este conteúdo foi apurado, contextualizado e elaborado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial sob as diretrizes editoriais e checagem do Falando Nisso.



