A Anvisa abriu investigação formal sobre 13 notificações de perda de visão associadas a medicamentos populares como Ozempic e Mounjaro, trazendo à tona um risco ocular raro, mas grave, documentado cientificamente: A necessidade de triagem oftalmológica prévia e monitoramento rigoroso de sintomas visuais durante o uso desses medicamentos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou a apuração formal de 13 notificações de pacientes que apresentaram perda de visão, parcial ou total, após utilizarem medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras“. A suspeita médica recai sobre a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA), uma complicação ocular rara e de extrema gravidade. Do total de casos em investigação no Brasil, 12 estão associados ao princípio ativo semaglutida e um à tirzepatida.
Além dessas investigações de alta gravidade, o painel de farmacovigilância da agência reguladora já contabiliza outros 74 registros de complicações visuais diversas associadas a esses mesmos fármacos. O avanço das investigações traz um alerta urgente para a comunidade médica e para os milhões de pacientes que utilizam essas terapias para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
⚡ AS NOTIFICAÇÕES POR PRINCÍPIO ATIVO
- Semaglutida (12 notificações): 5 de Ozempic, 3 de Wegovy, 2 de Wegovy FlexTouch e 2 de Rybelsus.
- Tirzepatida (1 notificação): Relacionada ao medicamento Mounjaro.
- Outras complicações: Painel de farmacovigilância da Anvisa registra 74 outros relatos de problemas visuais variados.
- Segurança global: Campanha de monitoramento rastreia eventos adversos graves desde dezembro de 2018.
📑 Neste Artigo (Sumário):
A apuração da Anvisa: 13 casos de perda de visão sob análise
As 13 notificações atualmente sob escrutínio da Anvisa colocam sob holofote as marcas mais vendidas do mercado farmacêutico atual: Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. A agência investiga a relação causal direta entre a administração dessas substâncias e o surgimento de quadros de cegueira súbita ou perda parcial de visão. Esses relatos chegam em um momento de consumo sem precedentes desses fármacos, que se tornaram verdadeiros blockbusters globais.
Desenvolvidos originalmente para o controle glicêmico de pacientes com diabetes tipo 2, os agonistas do receptor de GLP-1 demonstraram uma eficácia impressionante na redução do peso corporal. Isso provocou uma rápida expansão de suas indicações médicas e, consequentemente, um boom de uso off-label (fora da bula) e recreativo. Com o aumento exponencial de usuários, o sistema de vigilância sanitária passou a captar reações adversas que antes passavam despercebidas em testes clínicos menores.
O mercado brasileiro também passou a enfrentar desafios adicionais, como a circulação de canetas emagrecedoras falsificadas ou contrabandeadas, dificultando o controle de qualidade e a segurança do paciente. O cenário exige que a Anvisa adote uma postura de farmacovigilância ativa para identificar se os danos visuais decorrem do princípio ativo puro, de problemas de fabricação, do uso incorreto ou de interações sistêmicas ainda não totalmente mapeadas.
Para entender a gravidade desse cenário, é preciso compreender exatamente o que é a lesão ocular suspeita de causar essa perda rápida de visão.
Leia também: Ir ao teatro ou museu uma vez por semana reduz o envelhecimento celular em 4%, revela estudo da UCL
O que é a NOIA: a complicação rara que atinge o nervo óptico
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA) é popularmente descrita por especialistas como um “infarto do olho”. Ela ocorre quando há uma interrupção súbita ou redução drástica do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, a estrutura neural que conecta os olhos ao cérebro e traduz estímulos luminosos em imagens. Sem a oxigenação trazida pelo sangue, as células nervosas da região sofrem danos irreparáveis em questão de horas.
Os sintomas da NOIA costumam ser muito claros e alarmantes:
- Perda de visão de início súbito e indolor;
- Comprometimento tipicamente unilateral (afeta apenas um dos olhos);
- Redução do campo visual, frequentemente na metade inferior da visão.
Enquanto os agonistas de GLP-1 atuam simulando o hormônio natural que estimula a insulina, retarda o esvaziamento gástrico e induz a saciedade no cérebro, pesquisadores investigam se essa mesma sinalização hormonal interfere na regulação da pressão sanguínea ocular ou no tônus dos microvasos que alimentam o nervo óptico. A presença de 74 outros registros de complicações visuais diversas no painel da Anvisa reforça que os efeitos dessas substâncias no sistema ocular podem ser mais amplos do que se supunha.
Embora a complicação seja considerada rara na população geral, estudos recentes começaram a calcular o tamanho exato desse risco especificamente entre os usuários dessas medicações.
O peso dos dados: risco de lesão ocular é maior em tratamentos de obesidade
Estudos epidemiológicos internacionais começaram a quantificar a correlação entre o uso de semaglutida e o desenvolvimento de NOIA. Dados publicados em periódicos de oftalmologia revelam que pacientes que tratam a obesidade com agonistas de GLP-1 apresentam uma propensão significativamente maior de receber o diagnóstico de NOIA em comparação com aqueles que utilizam outros métodos terapêuticos de perda de peso.
A diferença de incidência também se mostra expressiva quando comparados os perfis de pacientes: indivíduos tratados para obesidade demonstraram uma taxa de risco relativo ligeiramente diferente daqueles tratados estritamente para o diabetes tipo 2. A velocidade da perda de peso e as rápidas alterações hemodinâmicas provocadas pelas doses mais elevadas das canetas emagrecedoras são apontadas como fatores que demandam maior atenção clínica.
| Complicação Reportada | Detalhes Clínicos e Impacto | Status na Investigação da Anvisa |
|---|---|---|
| Neuropatia Óptica (NOIA) | Perda súbita e irreversível de visão por falta de oxigenação no nervo óptico. | 13 notificações sob investigação técnica ativa |
| Complicações Visuais Diversas | Visão borrada, flutuações refrativas e desconforto ocular. | 74 relatos registrados no painel |
| Pancreatite Aguda | Inflamação grave do pâncreas com risco de internação. | Alerta sanitário oficial emitido em 09/02/2026 |
| Perda de Massa Muscular | Perda acentuada de musculatura esquelética, reduzindo a mobilidade. | Estudo de alerta publicado em 23/04/2026 |
A perda de massa muscular acelerada, documentada pela Escola de Medicina da UNC, soma-se aos riscos metabólicos e vasculares dessas terapias. A perda de tecido magro compromete a mobilidade física e a saúde metabólica a longo prazo, especialmente em pacientes idosos, evidenciando que a busca pelo emagrecimento rápido sem supervisão médica adequada pode custar caro à saúde sistêmica.
O escrutínio sobre os agonistas de GLP-1, no entanto, vai muito além da saúde visual e alcança investigações ainda mais graves na agência reguladora brasileira.
Além dos olhos: Anvisa mantém investigação sobre 65 mortes
A atuação regulatória sobre as canetas emagrecedoras desenha uma linha do tempo complexa e rigorosa no Brasil. O monitoramento de eventos adversos graves pela Anvisa não é recente e abrange um espectro amplo de complicações sistêmicas, incluindo o registro de óbitos sob suspeita de associação aos fármacos.
Linha do Tempo das Ações de Vigilância
- 01/12/2018 — Início do monitoramento de eventos graves
A Anvisa abre uma janela de acompanhamento contínuo para reações adversas severas, incluindo pancreatite e mortes suspeitas associadas a canetas emagrecedoras. Até o momento, 65 óbitos estão sob investigação técnica para apurar se há nexo causal com o uso dessas substâncias.
- 09/02/2026 — Alerta sanitário para risco de pancreatite
A agência emite um comunicado oficial orientando médicos e pacientes sobre o risco de desenvolvimento de pancreatite aguda, uma inflamação grave e potencialmente fatal no pâncreas, decorrente do uso contínuo desses medicamentos.
- 23/04/2026 — Estudo alerta para perda de massa muscular
Pesquisa conduzida pela Escola de Medicina da UNC revela que os novos medicamentos emagrecedores provocam taxas de perda de massa muscular significativamente mais elevadas do que os processos convencionais de perda de peso, gerando preocupações sobre sarcopenia.
- 28/09/2026 — Investigação sobre perda de visão é confirmada
A Anvisa confirma publicamente que analisa tecnicamente as 13 notificações de neuropatia óptica (NOIA) associadas ao uso de semaglutida e tirzepatida no Brasil.
Diante desse cenário, a orientação das autoridades de saúde e de sociedades médicas é unânime: a automedicação e o uso estritamente estético dessas substâncias, sem indicação precisa e acompanhamento profissional, multiplicam os riscos de reações graves. Recomenda-se que qualquer alteração visual — como visão embaçada, manchas ou perda súbita de campo de visão — seja imediatamente reportada a um médico oftalmologista, com a suspensão assistida do medicamento caso o especialista julgue necessário.
A compreensão desses riscos sistêmicos redesenha as orientações médicas sobre quando procurar ajuda e reforça a importância de não interromper tratamentos essenciais sem acompanhamento profissional.
Fontes Consultadas
- Portal de Notícias Poder360 (poder360.com.br);
- Portal de Notícias Metrópoles (metropoles.com);
- Portal NSC Total (nsctotal.com.br);
- Painel de Monitoramento de Eventos Adversos e Farmacovigilância da Anvisa;
- Estudos e publicações da Escola de Medicina da UNC (Universidade da Carolina do Norte).
Veja mais: Acompanhe outras reportagens, análises e atualizações na editoria de Saúde e Ciência.
Aviso Editorial: Este conteúdo foi apurado, contextualizado e elaborado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial sob as diretrizes editoriais e checagem do Falando Nisso.



